Comparação dos standards CBKC - CAFIB no Fila Brasileiro, fevereiro de 1997
Autor: Jaime Pérez Publicado em: Revista «Club Español de los Molosos de Arena» Data: fevereiro de 1997 Tradução portuguesa: inteligência artificial O artigo compara os standards CBKC e CAFIB do Fila Brasileiro, abordando as diferenças reais entre ambos os critérios de classificação. Jaime Pérez sustenta que o Fila Brasileiro, como raça, deveria ser único e genuíno, mas assinala que, na prática, existem cães diferenciados fenotípica e genotipicamente. O texto centra-se especialmente no temperamento, no sistema nervoso, na cor da pelagem e na aplicação objetiva do standard.
Por @a.myanimal com @acaboclado
Por Jaime Pérez.
Várias foram as pessoas que, nos últimos meses, me fizeram a mesma pergunta: que diferenças existem entre um Fila-CAFIB e um Fila-CBKC? A resposta é simples: não deveria haver nenhuma, visto que o Fila Brasileiro, como raça, é único e genuíno, sem a diversidade de tipos a que nos têm acostumado outras raças como o Boxer, São Bernardo, etc.
Mas a realidade é bem diferente. Efetivamente existem dois grupos de cães perfeitamente diferenciados tanto fenotípica como genotipicamente, aparentemente pertencentes à mesma raça, uma vez que assim o atestam seus correspondentes pedigrees. Efetivamente existem, insisto, dois tipos de Fila: por um lado temos o Fila puro e, por outro, o “Fila” bastardo, patético e cômico produto da mestiçagem incontrolada.
Portanto, o que é incorreto é o critério de classificação. É incorreto falar do Fila-CAFIB e do Fila-CBKC como dois tipos distintos. A divisão entre os grupos ocorre quando se fala do Fila puro e do cão mestiço; cão são, forte, atrativo... mas bastardo.
Como prova de que as diferenças entre os dois supostos grupos de cães, CAFIB-CBKC, são mínimas, a seguir são publicados os standards de raça correspondentes a cada uma destas organizações para sua comparação. A semelhança entre ambos os documentos em determinados aspectos é singular, coisa, por outro lado, totalmente lógica se se leva em conta que ambos os documentos foram originalmente redigidos, em maior ou menor medida, pela mesma pessoa: o Dr. Paulo Santos Cruz.
Existem apenas duas questões, além de outros detalhes menores, em que as divergências são acentuadas: tudo o que está relacionado com o temperamento e o sistema nervoso do animal, e a cor da pelagem. Quanto à primeira delas, cabe comentar o que já foi repetido à exaustão: as diferenças entre padrões raciais são motivadas por uma necessidade dos mestiçadores de dar espaço e justificação aos seus exemplares. Não se deve esquecer também que a tradução do termo “ojeriza” para idiomas que não contam com uma palavra de significado semelhante, como o inglês, foi tão pouco afortunada quanto funesta, suavizando de uma só vez — nunca melhor dito — o temperamento do Fila, fixado ao longo de gerações.
Quanto à segunda grande divergência, a cor da pelagem, surge do reconhecimento, pela CBKC, da cor preta, enquanto o CAFIB defende que tal cor é sinônimo inequívoco de mestiçagem. Sobre este tema já foi dito tudo o que havia para dizer; portanto, sem mais comentários.
Em qualquer caso, embora existam diferenças entre os padrões raciais que facilitem uma relativa diversidade de tipos, também é certo que o standard da CBKC fornece os elementos necessários para desclassificar os exemplares atípicos e que, aplicando-o de uma maneira absolutamente objetiva, sempre terão vantagem os mal chamados Filas-CAFIB. Note-se, além disso, que, mesmo tendo sido eliminada a famosa frase que permitia ao cão atacar o juiz, conserva-se, no entanto, uma seção dedicada ao teste de temperamento. E aproveito a ocasião para recordar aos juízes especialistas a obrigatoriedade de sua aplicação, exatamente igual a qualquer outro ponto do standard. Curiosamente, esta seção foi eliminada de todas as versões do standard publicadas anteriormente na Espanha. Eu mesmo cheguei a duvidar se deveria ou não ser aplicada fora do Brasil. Para sair da dúvida, solicitou-se à R.S.C.F.R.C.E. a última versão do standard do Fila que lhes tivesse sido remetida oficialmente pela FCI, recebendo uma cópia em inglês cuja tradução é a que se publica. Portanto, na medida em que a FCI difunde a mencionada versão entre seus países afiliados, entendo que é de cumprimento obrigatório em todos os seus pontos, sem exceção.
Perguntas frequentes
Quais são as principais diferenças entre o Fila-CAFIB e o Fila-CBKC segundo o artigo?
O artigo aponta que, embora não devesse haver diferença, na prática existem dois grupos distintos. As divergências acentuadas residem no temperamento, sistema nervoso e cor da pelagem, com o CAFIB defendendo que a cor preta indica mestiçagem, enquanto a CBKC a reconhece.
Quem é o autor do artigo e onde foi publicado originalmente?
O autor é Jaime Pérez. O artigo foi publicado originalmente na revista «Club Español de los Molosos de Arena» em fevereiro de 1997.
Qual a opinião do autor sobre a existência de dois tipos de Fila Brasileiro?
Jaime Pérez sustenta que o Fila Brasileiro é uma raça única e genuína. Ele considera incorreto falar de Fila-CAFIB e Fila-CBKC como tipos distintos, afirmando que a divisão real é entre o Fila puro e o cão mestiço.
Por que o autor considera a tradução do termo 'ojeriza' problemática?
O autor menciona que a tradução de 'ojeriza' para idiomas como o inglês, que não possuem um termo equivalente direto, foi infeliz e suavizou o temperamento do Fila Brasileiro, que foi fixado ao longo de gerações.
O que o autor diz sobre a aplicação objetiva do standard CBKC?
Ele afirma que, mesmo com diferenças nos padrões, o standard da CBKC possui elementos para desclassificar exemplares atípicos. Aplicando-o objetivamente, os chamados Filas-CAFIB teriam vantagem, e a seção de teste de temperamento deve ser obrigatoriamente aplicada.
Artigos relacionados
A idade ideal para reproduzir o macho e a fêmea Fila Brasileiro, abril de 1994
O artigo analisa as razões pelas quais o CAFIB estabeleceu normas restritivas sobre a idade mínima de reprodução e os períodos de descanso entre ninhadas no Fila Brasileiro. Paulo Santos Cruz defende que a maturidade sexual não equivale à maturidade física completa, especialmente em raças grandes e molossoides. O autor argumenta que reproduzir machos e fêmeas cedo demais pode prejudicar a saúde dos exemplares, enfraquecer a seleção e comprometer a qualidade da raça. O artigo foi publicado por Paulo Santos Cruz na revista “CLUB ESPAÑOL DE LOS MOLOSOS DE ARENA”, em abril de 1994, e traduzido por inteligência artificial.
As cores nos Molossos de Arena, setembro de 1994
Autor: Gilbert de Mulder Publicado em: Revista «Club Español de los Molosos de Arena» Data: setembro de 1994 Tradução portuguesa: inteligência artificial O artigo introduz uma série dedicada à genética das cores nas raças agrupadas como Molossos de Arena. Gilbert de Mulder explica o funcionamento básico dos genes e alelos relacionados com a cor da pelagem, centrando-se especialmente no locus “S” e na sua influência no aparecimento de manchas brancas. O texto analisa casos concretos no Mastiff, Bullmastiff, Mastim Napolitano, Dogue de Bordeaux e Fila Brasileiro, defendendo a importância de estudar os pedigrees e as linhas de criação para evitar combinações genéticas não desejadas.
Cores no Fila Brasileiro, julho de 1993
Autora: Mar Olivas Tur Publicado em: Revista «Club Español de los Molosos de Arena» Data: julho de 1993 Tradução portuguesa: inteligência artificial O artigo aborda a polêmica sobre as cores admitidas no Fila Brasileiro e defende a posição do CAFIB quanto à rejeição do preto como cor correta na raça. Mar Olivas Tur sustenta que outras cores e combinações, como o branco, o tigrado, o areia e o cinza champagne, fazem parte da história e da autenticidade do Fila. O texto insiste que a qualidade de um exemplar não deve ser julgada exclusivamente pela cor de sua pelagem, mas por sua correção, tipicidade e valor racial.
A versatilidade no Fila Brasileiro, julho de 1993
Autor: Clelia Kruel Desenho: Camburi do Embrema Publicado em: Revista «Club Español de los Molosos de Arena» Data: julho de 1993 Tradução portuguesa: inteligência artificial O artigo apresenta o Fila Brasileiro como uma raça profundamente ligada à história rural do Brasil e destaca sua versatilidade como cão de guarda, caça, companhia e trabalho. Clelia Kruel repassa sua evolução desde os campos brasileiros até as cidades, seu reconhecimento internacional e seu papel como cão de utilidade em condições extremas, especialmente em testes realizados na selva amazônica. O texto sublinha sua rusticidade, resistência, olfato, força, temperamento e capacidade de vigilância silenciosa.
A displasia no Dogue de Bordeaux, setembro de 1994
Autor: Dr. Fontaine Publicado em: Revista «Club Español de los Molosos de Arena» Data: setembro de 1994 Conferência: sábado, 6/11/93 Tradução espanhola: P. Llorca Tradução portuguesa: inteligência artificial O artigo recolhe uma conferência do Dr. Fontaine sobre a displasia no Dogue de Bordeaux. O texto aborda os fatores hereditários, ambientais, alimentares e ligados ao exercício que podem influenciar o aparecimento ou agravamento da displasia. Também explica a importância da radiografia, o correto posicionamento do cão, as primeiras estatísticas de leitura de quadris na raça e a necessidade de realizar controles antes de utilizar exemplares na reprodução.
Falando de cães: The Old English Mastiff, setembro de 1994
Autor: Jesús Cano Publicado em: «Club Español de los Molosos de Arena» Data: setembro de 1994 Tradução portuguesa: inteligência artificial O artigo continua uma série dedicada ao Old English Mastiff e revisa diferentes aspectos históricos relacionados à sua origem, evolução e uso funcional na Grã-Bretanha. Jesús Cano aborda a possível formação da raça a partir de cães autóctones britânicos e molossos asiáticos, a influência normanda, o antigo Ban-Dog, a linhagem de Lyme Hall e a participação de cães do tipo mastim em atividades como caça, defesa, bull-running, bull-baiting, combates com ursos e lutas entre cães. O texto também reflete sobre como esses usos deram origem a outros tipos caninos, especialmente o Bulldog e o Staffordshire Bull Terrier.


