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A versatilidade no Fila Brasileiro, julho de 1993

Autor: Clelia Kruel Desenho: Camburi do Embrema Publicado em: Revista «Club Español de los Molosos de Arena» Data: julho de 1993 Tradução portuguesa: inteligência artificial O artigo apresenta o Fila Brasileiro como uma raça profundamente ligada à história rural do Brasil e destaca sua versatilidade como cão de guarda, caça, companhia e trabalho. Clelia Kruel repassa sua evolução desde os campos brasileiros até as cidades, seu reconhecimento internacional e seu papel como cão de utilidade em condições extremas, especialmente em testes realizados na selva amazônica. O texto sublinha sua rusticidade, resistência, olfato, força, temperamento e capacidade de vigilância silenciosa.

Por @a.myanimal

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Por CLELIA KRUEL.

Desenho: CAMBURI DO EMBREMA

Majestoso e nobre, destinado a diversas funções, o Fila Brasileiro nasceu dentro do Brasil. Não foi feito pelo homem, mas pela necessidade. E surgiu, paradoxalmente, o mais agressivo dos guardiões e o mais fiel dos amigos. Em tudo, o Fila Brasileiro se faz diferente. Na estrutura, com as ancas sobressaindo ao lombo; na graça de seu andar; no temperamento forte e contrário aos estranhos. Nenhum outro animal se lhe assemelha, tendo o ataque de um leão e a ternura de um cordeiro. Cão de guerra, de guarda, de caça, guia de cegos, cão companheiro.

Deram-lhe vários nomes, todos lhe assentam bem: “Cabeçudo”, “Onceiro”, “Boca Negra”, “Fila”, “Fila Brasileiro”.

Falar do Fila é como voltar ao nascimento desta nação nos tempos da colônia. O Fila acompanhava as lutas dos invasores, na conquista da selva e na epopeia dos pioneiros. Guardião e sentinela de escravos, viveu nos engenhos de açúcar, nas plantações de café, nas fazendas de gado, onde um Fila valia mais que três peões juntos. Trabalhava durante o dia e, no silêncio da noite, ia buscar seu alimento na floresta.

Forte, rústico, corajoso, foi defensor do gado, dos rebanhos e dos homens, para impedir o ataque da terrível onça, que todos temiam enfrentar. Escreveu seu nome de “cão onceiro” com sangue e tornou-se lenda na boca do povo. “Fiel como um Fila” tornou-se um provérbio. O Fila jovem cresceu e o Fila Brasileiro seguiu seus passos, introduzindo-se nas indústrias e nas grandes cidades. O Fila deixou o campo e acompanhou seu dono no asfalto. Foi viver em apartamentos, sentindo falta do cheiro do pasto.

Em 1946 foi promovido e ganhou o “Padrão da raça”, como se ele, o rei, não o fosse antes puro. Levaram-no a desfilar em exposições; não teve muito sucesso no princípio, por ser um cão de trabalho. Como poderia demonstrar aquilo que sabia fazer tão bem? Ninguém parecia interessado em vê-lo enfrentando os dentes afiados de uma onça ou em ver sua força derrubar um zebu pela queixada.

Estranhavam suas ancas mais altas, seu passo de camelo e seu movimento. Ali, naquela pista, não podia demonstrar a incrível velocidade de seu galope, nem a agilidade de seus membros flexíveis fechando-se em dobradiça para abocar seu adversário. Ficou com fama de animal bravo e os juízes temiam tocá-lo.

Em 1954 atravessa os mares para fazer fama na Alemanha. Em 1968 entra na Fédération Cynologique Internationale e é admirado na Holanda, Áustria, Itália, Portugal e Espanha. Sua fama de guardião natural, atuando por instinto, deu-lhe popularidade, e 8.087 Filas puros são registrados em 1982. O Fila passa a ganhar o grupo e conquista o best in show, competindo de igual para igual com o Dobermann e os Boxers, que mantinham o primeiro lugar nas pistas. Sua característica principal é a aversão aos estranhos, e esta passa a ser seu passaporte para o exterior. O que atrai no Fila não é sua estrutura, mas seu admirável caráter.

Em 1981 visitamos o CIGS, Centro de Instrução de Guerra na Selva, onde o médico veterinário Capitão Edinho Camoleze realizou testes durante cinco longos anos, de maneira racional, com diversas raças nas mesmas condições, a fim de escolher o cão mais adequado para enfrentar os perigos do “inferno verde”.

Caminhando seis horas sem comer, ou fazendo uma jornada de 12 horas com ração quente, ou 24 horas somente com ração comercial, atravessando rios perigosos, carregando sua bagagem nas piores condições possíveis, foram testados a rusticidade, a resistência e o sistema nervoso dos cães em experimentação, exigidos até o ponto do esgotamento.

Eles enfrentaram o combate simulado em áreas agrestes, onde os ramos das árvores centenárias se entrelaçavam obscurecendo o céu, onde chove todos os dias, inundando as trilhas improvisadas. Ferindo-se entre muralhas de cipós. Passaram por cobras e pântanos com jacarés, foram feridos por espinhos e castigados pelo ataque incessante dos mosquitos, suportando o calor úmido e sufocante da selva. O Fila sobreviveu. Seu desempenho foi considerado excelente. Conforme consta nos relatos do Capitão Camoleze: “Não houve perda de qualidade nem de características”.

A investigação e seus resultados. Investigando as características de cada raça, foi analisado o desempenho de cada uma em relação ao trabalho na selva durante cinco anos. Inteligência: entre as três raças, o Pastor Alemão obteve o melhor índice. Agressividade: o Dobermann conseguiu o melhor índice. Temperamento: depois de algumas incursões na selva com alguns obstáculos naturais, como espinhos, pântanos, cipós etc., o Fila mostrou melhor temperamento e comportamento. Energia: o Fila Brasileiro, neste tipo de trabalho realizado, obteve melhor índice, ressaltando a importância do clima da Amazônia neste aspecto: temperatura elevada, umidade excessiva e atmosfera saturada. Resistência: entre as três raças mencionadas, o Fila demonstrou melhor aptidão, principalmente em longas permanências na selva. Seu índice de esgotamento é muito pequeno em relação ao Dobermann e ao Pastor Alemão. Rusticidade: na selva, devido à sua robustez, desenvolvimento ósseo e pele mais grossa, o Fila mostrou-se mais rústico. Força: principalmente na travessia de cursos de água, o cão Fila revelou qualidades excelentes nos testes realizados. Este animal, por sua capacidade física, pode inclusive ser empregado no transporte de pacotes e pequenas cargas nas travessias dos cursos de água, sozinho ou auxiliando o combatente na selva.

Combatente silencioso

O Fila demonstrou ser um ótimo rastreador dentro da selva fechada, saindo em busca de sobreviventes. Calmo e tranquilo, zeloso por natureza, não late nem se assusta com facilidade. A selva lhe parece familiar e a sensação de perigo, esquadrinhando a escuridão, não o assusta. Excelente patrulheiro, detecta e alerta uma emboscada a uns trinta metros de distância, auxiliado por seu extraordinário olfato. Na selva, a visão máxima alcançada pelo ser humano, isto é, por um combatente especializado, é de apenas dez metros. O Fila, com seu olfato desenvolvido, ajuda a descobrir túneis escondidos, franco-atiradores, emboscadas etc., antes que a patrulha seja descoberta.

Assim aumenta a força operacional do combatente, economizando combustível, munição e, sobretudo, vidas. O cão guerrilheiro da selva é de incalculável valor para a guarda de pontos estratégicos nas fronteiras distantes. Um depósito de munição, ou outros diversos tipos de abastecimentos, no meio da selva, na escuridão total da noite, poderia ser alvo fácil, se não fosse pela vigilância constante e silenciosa de um Fila. Ele sabe distinguir a queda de uma folha dos passos leves de um animal selvagem ou do rastro de um invasor. Rosna dando alarme e parte direto sobre o objetivo, neutralizando a agressão. Sua força e sua coragem dão apoio moral ao sentinela, que confia no discernimento de seu companheiro de vigilância. Deles depende a vida do regimento e a guarda das munições. Principalmente à noite, o cão completa a falha humana no que se refere à audição, ao olfato e à visão, que perdem não só em qualidade como em intensidade diante dos sentidos desenvolvidos do cão.

Sahy do parque de castelo

Fêmea dourada

Perguntas frequentes

Quais são as principais características do Fila Brasileiro mencionadas no artigo?

O artigo destaca a versatilidade do Fila Brasileiro como cão de guarda, caça, companhia e trabalho, sua rusticidade, resistência, olfato apurado, força, temperamento forte com estranhos e capacidade de vigilância silenciosa.

Como o Fila Brasileiro se saiu nos testes realizados na selva amazônica?

Nos testes do CIGS, o Fila Brasileiro demonstrou excelente desempenho em rusticidade, resistência, temperamento, energia e força, sendo considerado o mais adequado para as condições extremas da selva amazônica.

Qual a origem histórica do Fila Brasileiro segundo o artigo?

O artigo descreve o Fila Brasileiro como uma raça nascida da necessidade no Brasil colonial, acompanhando pioneiros, atuando como guardião de escravos e defensor de gado contra onças.

O Fila Brasileiro é adequado para viver em apartamentos?

O artigo menciona que o Fila Brasileiro deixou o campo para acompanhar seus donos nas cidades e apartamentos, mas sentindo falta do cheiro do pasto, indicando uma adaptação com possíveis desafios.

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